domingo, 11 de setembro de 2011

Há dez anos



11 de Setembro de 2001.


Eu tinha ido almoçar com a minha mãe ao emprego dela. Recordo-me desse dia com muita clareza, como se fosse hoje. Estava a dar qualquer coisa na televisão, quando interrompem a emissão para transmitir directamente de Nova Iorque. Lembro-me de ver uma enorme nuvem de fumo, pessoas a correr e a gritar, sem ninguém perceber o que se passava. Na Sic, o jornalista tentava explicar o que aconteceu, mas nem ele sabia. Passado uns minutos, as pessoas intensificam os gritos e o desespero e vi outro avião embater na segunda torre.
Apesar de ter 12 anos e aquele me parecer um filme de acção, lembro-me que fiquei muito impressionada. Não percebia nada do que se passava e durante todo o dia não chegava informação credível que explicasse tal atrocidade. Pelo contrário, o caso ainda piorou com os ataques ao Pentágono e na Pensilvânia. 

Com o passar dos dias, comecei a perceber que aquilo tinha sido culpa dos "árabes". Era essa a informação vinculada, e para uma criança de 12 anos era isso que eu percebia. Os "árabes" eram culpados pela morte de milhares de pessoas. Mas, e felizmente, não foi nisso que me foquei. Foquei-me na história dos passageiros do voo 93, que evitaram a morte de centenas de pessoas. Foram heróis e morreram como heróis. Foquei-me nas centenas de bombeiros, polícias e demais forças de segurança que acudiram os feridos acabando, alguns, por perder a própria vida. Foram heróis e morreram como heróis. Heróis como nos filmes de acção.

Cresci com o fantasma do 11 de Setembro. Acabei por aprender, à custa disto, a ser mais tolerante. A culpa não tinha sido dos "árabes". A culpa tinha sido de um bando de pessoas doentes e fanáticas e muitos árabes sofreram à custa disso. Afinal, que culpa tinham eles dos erros cometidos por outros árabes?

É preciso não esquecer que não só americanos morreram nestes ataques. Todo o mundo foi vítima desses ataques. Muitas famílias ficaram destruídas. Se não ficaram naquele dia, ficaram depois, com a partida dos seus familiares para o Afeganistão.

Este ano, soubemos que o Bin Laden tinha sido capturado e morto. Apesar de ser uma vitória para o mundo, a verdade é que não deixou ninguém mais tranquilo. Porque de onde aquele veio, há muitos.

A verdade é que o mundo mudou. Penso que o mundo conheceu o Mal nesse dia. Os Estados Unidos perceberam que não são invencíveis. Os americanos mudaram para sempre. Os americanos e todo o mundo.





Ninguém estava preparado para o que aconteceu.  Ninguém consegue perceber. E penso que não há ninguém que, dez anos depois, não se emocione com as imagens do 11 de Setembro de 2001.

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