sábado, 29 de janeiro de 2011

Recém-Licenciada à procura do primeiro emprego#1

Quando, em Julho, terminei a licenciatura, nunca pensei vir a encontrar-me na situação que me encontro. Achei que, a esta altura, estaria a concluir o primeiro semestre do Mestrado, iria andar com os nervos me franja e sem tempo para nada. Mas não. O que não me falta é tempo, e tenho-me dedicado a responder a anúncios de emprego e, consequentemente, ir a entrevistas.

A minha intenção, depois de ter percebido que não ia entrar em nenhum Mestrado, era fazer um estágio profissional. Por isso, enviei candidaturas espontâneas para muitas instituições culturais. As que me responderam, disseram-me o habitual de momento não precisamos, mas o seu currículo vai ficar na nossa base de dados. Uma instituição cultural bastante conceituada do Porto telefonou-me para uma entrevista. Fiquei muito contente, afinal ainda teria a oportunidade de conseguir um estágio. Lá fui eu, super-nervosa, à minha primeira entrevista para a minha área. Fui avisada de antemão que aquela era uma instituição muito rígida no que toca à apresentação. Ok, já sabemos que quando vamos a uma entrevista não podemos ir mal-vestidos, mas aquela era muito muito exigente. Lá fui ao armário da minha mãe buscar umas calças clássicas, camisinha e casaco de malha e lá vou eu. Quando lá cheguei, achei aquilo muito chique. Uma espécie de mordomo veio abrir-me a porta e encaminhou-me para uma sala, para esperar pela senhora que me ia entrevistar. Quando a tal senhora chegou, fez-me um exame completo, olhou para mim de cima a baixo e mandou-me sentar. Pensava eu que ela iria querer que lhe falasse do meu percurso académico, que lhe explicasse algumas questões do meu currículo. Mas não; só me perguntou a média de final de curso, onde tinha feito o ensino secundário e se o colégio que frequentei era laico ou religioso e misto ou só de raparigas. Todo o resto da entrevista, só me fez perguntas de carácter pessoal. Depois, em conversa com uma amiga mais habituada a estas andanças das entrevistas, ela disse-me que eu podia ter-me recusado a responder a estas questões, mas eu que não sou nada experiente, lá fui respondendo. Para terem uma noção, a senhora fez questões como:

- Os seus pais fazem o quê?

- Tem namorado? O que é que ele faz?

- Já namora há muito tempo?
- A bolsa de estudo por mérito que lhe foi atribuído pelo IPP foi monetária ou de outro género? (queria que lhe dissesse o valor ahah)

- É filha única?

- Os seus pais são do Porto?

- Vive com os pais?
- Que idade tem ao certo? ah, tinha idade para ser minha filha!
- Quando esteve em Itália descurou os estudos por ter viajado tanto?

- Já namorava quando foi em Erasmus?
- (...)

A senhora assustou-me, a sério. Só faltou perguntar-me orientação política. Estas são só alguns exemplos de questões, porque entretanto esqueci-me de muitas coisas.

A meio da conversa, ficou admirada por eu falar inglês, italiano e espanhol, mas com muita pena por não falar francês. Quando lhe perguntei se a instituição trabalhava com parceiros franceses, ela disse que não, mas que francês é muito bonito e todos devíamos saber falar.

Depois, disse que ia ver se me podia mostrar o Museu. Para continuar a esperar naquela sala. De repente, surge outro senhor, mais velho, que reconheci como sendo o Presidente da Fundação. Voltei a ser entrevistada por ele. A primeira coisa que me disse foi que não gostava do meu brinco (tenho um brinco a meio da orelha esquerda que me esqueci completamente de retirar) e que ali era tudo muito restrito. Calças de ganga? Nem pensar! Fez-me mais perguntas de carácter pessoal e académico, mandou-me escrever o meu nome num papel para avaliar a minha caligrafia e perguntou a quem podia pedir referências minhas.  Ainda me disse que ali teria de fazer tudo, desde fechar envelopes a receber convidados.

Depois de uma longa hora de entrevista, fiquei com a impressão que até tinham gostado de mim. Finalmente, chegou a senhora que me tinha entrevistado primeiro e disse-me que não estavam a precisar de ninguém de momento, que só me chamaram para a entrevista porque recebiam muitos currículos e tinham pena dos jovens que não tinham oportunidades. Deu-me uma vontade de os mandar àquele sítio... No final ainda me disseram que me ligariam para ir visitar o Museu (que na altura já estava fechado), mas isso já foi há mais de um mês e meio e ainda não recebi chamada nenhuma.

10 comentários:

Lolita disse...

E fazem as pessoas perder tempo assim? Quem lhe garante que por causa da entrevista que eles te marcaram não tives-te que recusar outra à qual te podia oferecer emprego!? Mais valiam estar quietinhos não?? Ainda por cima tentaram saber da tua vida pessoal.. Enfim! *

suddenly twenty disse...

oh god. anda tudo louco e a brincarem com a vida de quem ainda está no seu estado normal

Kahkba disse...

Hmmm... espero que não tenha sido em Serralves, que gosto tanto daquilo.
Não sei se respondia a tanta coisa. No teu lugar (ou seja, se isso se tivesse passado comigo) teria ficado contente quando me recusaram, porque trabalhar num sítio assim deve ser muito stressante.
Vai aparecer alguma coisa, vais ver. Só não se pode cruzar os braços e sentar no sofá. De resto, é uma questão de tempo. Boa sorte :)

Saskia disse...

Kahkba,

Pois, é como dizia, eu não estava habituada a entrevistas, provavelmente se fosse agora não teria respondido a metade!

Não foi em Serralves, Serralves pertence ao grupo de instituições que nem se dignam a responder :)

ana moura disse...

nem mais!

Kahkba disse...

Ah, menos mal ;) Não sei o que custa mandar um e-mail (que não custa dinheiro) a dizer "não". Já me aconteceu...

Jóh disse...

parece que ainda gozam connosco!

filipa disse...

adoro, e estou-te a seguir :)

Hermione disse...

ai por favor!... olha, por um lado ainda bem que lá não ficaste...

Bubble disse...

Hoje em dia quem contrata acha-se no direito de exigir tudo e perguntar tudo, é demais!