sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Dos casamentos, divórcios e relações

Ontem, os meus pais fizeram 26 anos de casados. Se acrescentar os 3 de namoro, a relação deles conta com quase 30 anos. Os meus pais sempre se deram bem. Fomos sempre uma família super unida e, sinceramente, não conheço ninguém que tenha um núcleo familiar como o meu. Eu sou filha única, o que me aproxima (ainda) mais dos meus pais. Tenho as minhas discussões com eles (quem não as tem?), mas sempre fui habituada a falar de tudo com eles. Nunca tive muitas dúvidas relativas seja ao que for, porque sempre tive à-vontade para falar com eles. Para perceberam, até alguns dos meus amigos costumam conversar com os meus pais. O meu namorado fala mais com os meus pais do que com os deles. E sempre se deram bem. Nunca me lembro de ter de me refugiar no quarto para evitar ouvir as discussões e nunca temi, por um segundo, que o casamento deles iria terminar. São companheiros de uma vida e nutrem um respeito enorme um pelo outro, que é onde, penso eu, está o segredo da boa relação que construíram. Por isso, para mim é fácil imaginar-me casada com a mesma pessoa durante muitos e muitos anos. Porque este é o exemplo que tenho, é o exemplo que quero seguir.

Ontem, em conversa com duas amigas, comentávamos o choque que foi, há cerca de dois anos, descobrir que os pais de um amigo nosso se tinham divorciado. Eram casados há mais de 20 anos, com três filhos e uma vida completamente normal, e divorciaram-se. Já os conhecia há muitos anos, porque esse meu amigo andou comigo desde a escola primária, por isso é um casal com o qual convivia bastante e conhecia minimamente. Para mim, foi um verdadeiro choque, porque aquele casal fazia lembrar-me os meus pais. 

Para uma das minhas amigas, não foi choque nenhum. Para ela, estranho é um casal estar junto por tantos anos. Ela não acredita no casamento, nem sequer em relações muito duradouras. Ela não percebe muito bem como estou com o meu namorado há tanto tempo. Penso que isto se explica muito facilmente; os pais dela tiveram um casamento muito conturbado. A violência doméstica era uma realidade, e quando ela tinha sete anos, os pais separaram-se, finalmente. Para ela, é normalíssimo um casal divorciar-se, o estranho é o contrário.

Penso que o exemplo que temos em casa é imperativo para todas as relações que temos na vida. Sejam elas de amizade ou amorosas, a verdade é que raras são as pessoas, filhas de pais divorciados, que acreditam no casamento para a vida. Pelo menos, as pessoas que conheço.

7 comentários:

ROSINHA disse...

O exemplo dos pais,as relações que vemos,as nossas vivências,...Tudo afecta a forma como construímos o nosso futuro*

Lolita disse...

Eu também acredita nos casamentos para a vida, mas tenho noção que não é sempre um mar de rosas, visto que se já quando namoramos há incompatibilidades e discute-se imagina viveres com uma pessoa tantos anos.. O pior é mesmo quando entram em monotonia e deixam de perceber o tanto que passaram e quanto se amam.. *

Naty e Carlos disse...

Nunca desista de uma amizade ou de um grande amor só porque a distância os separou; seja paciente com o sol e a lua pois quando se encontram formam um dos fenômenos mais belos do universo.
Bjs Naty

Wendy disse...

É claro que, às vezes, alguns casamentos duradouros são só uma farsa, uma fachada para não se mostrarem as fraquezas. Mas não é minimamente impossível ter-se um casamento/relação para a vida com mais felicidade do que zangas.
Eu espero ir por esse caminho :)

Abby Richter disse...

Os meus pais divorciaram-se quando eu tinha cinco anos. Não têm qualquer tipo de relação, ou seja, não se falam, mas felizmente nunca estive metida no meio deles, sempre me deixaram à parte. Apesar de ser filha de pais divorciados acredito que é possível casar para toda a vida. Acredito que se o amor for verdadeiro, se a relação for boa, tem tudo para dar certo.

Anônimo disse...

Os meus pais namoraram anos e anos e anos a fio (desde crianças,quase), casaram-se quando a minha mãe estava gravida de 3 meses e divorciaram-se antes que pudesse formar qualquer memória deles juntos. Ainda assim sempre tive uma familia que posso declarar tão unida quanto descreves a tua. Os meus pais conversam, respeitam-se muito e são amigos e também tenho toda a abertura para falar com qualquer um deles, ou ambos juntos, seja la do que for.ALém disso o meu pai voltou a casar-se trazendo à familia o meu irmão (de quem tenho 20 anos de diferença), que a minha mãe também adora e trata como um sobrinho. Não há ressentimentos entre ninguém, a minha mãe e madrasta são amigas, os meus avós do lado paterno adoram a minha mãe a avó do lado materno adora o meu pai. E por isso, apesar de pertencer a uma familia com divorcios atras de divorcios (há a minha madrasta, há a mdadrasta do meu pai, há a madrasta da minha madrasta!-e são todas pessoas adoraveis) acredito em casamentos para toda a vida. Como, por exemplo, acredito que venha a ser o do meu pai com a minha madrasta. Ou do pai da minha madrasta com a madrasta dela. Ou do meu avô com a madrasta do meu pai!E como possivelmente vira a ser o meu, uma vez que namoro há 3 anos, moro junto há um e a relaçao melhora a cada dia que passa. Por isso não, não depende dos pais serem casados uma vez ou 30. Dependo do respeito e amor que os pais mostram pelas pessoas com quem estiveram/estão casados, independentemente de ser o 346º casamento.

Saskia disse...

Anónima,

Como deves ter lido, eu escrevi "Sejam elas de amizade ou amorosas, a verdade é que raras são as pessoas, filhas de pais divorciados, que acreditam no casamento para a vida. Pelo menos, as pessoas que conheço. " Frisei que as pessoas que conheço são assim. O que não significa que o resto do mundo não seja diferente. Aliás, e se pensar bem, também tenho amigos que pensam o contrário; apesar de os pais deles terem uma óptima relação, não acreditam em relações para sempre.

A verdade é que, provavelmente, não me expressei bem :)